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quarta-feira, 16 de julho de 2014

DINHEIRO, AMOR E SOLIDÃO - Por Nicéas Romeo Zanchett

               

                   O único motivo que justifica a união de duas pessoas é o amor. Para manter essa união é necessário, antes de tudo, muita sinceridade, cumplicidade e compreensão. É preciso viver o dia a dia com mútuo interesse de se conhecer melhor e expandir as inúmeras possibilidades do corpo e da alma. 
                   Quando se inicia um relacionamento amoroso, é preciso ter em mente de que nada é eterno, mas pode durar prazeirosamente uma vida. 
                   Qualquer relação amorosa que seja condicionada e rotineira leva, inevitavelmente, ao desinteresse sexual. Com a passagem do tempo, outros interesses surgem e é natural que a tesão se arrefeça e até acabe. O amor é uma chama que precisa ser mantida, pois do contrário o melhor é apagar e partir para outro relacionamento. 
                   O ser humano encontrou na união conjugal uma maneira para sentir-se amparado. Muitas vezes essa união é levada de forma robotizada, sem emoção e apenas para manter um casamento falido. O medo da solidão é tanto que as pessoas abrem mão de tudo e vão fazendo inúmeras concessões para manter uma relação estável e fria. Justificam a falta de amor e tesão com frases tipo "casamento é isso mesmo". 
                   A quantidade de relacionamentos infelizes que continuam sendo sustentados pelos casais por puro medo ou falta de saída é enorme. Muitos são os que vivem relações péssimas e acham que é normal. 
                    O dinheiro tem sido um grande ditador de relacionamentos. A maneira de dar, receber, gastar ou acumular o vil metal revela frustrações emocionais que se arrastam da infância por toda a vida. Não são poucas as vezes que pessoas com muito dinheiro, não conseguem gastar consigo mesmas e saem à procura de alguém para suprir sua carência afetiva e emocional. É sempre um tiro no escuro, pois geralmente se ligam a alguém que nada lhe dará em troca. Mesmo com toda a generosidade acabam sendo frustradas e sentindo-se indignas de amor. 
                    Comprar a felicidade não é uma forma saudável de se relacionar. São situações mal resolvidas que acabam por tornar a pessoa em sovina e incapaz de dar afeto para alguém ou para si mesma. São muito comuns os casos de mulheres ricas com baixa estima, envolvidas com homens financeiramente falidos. O dinheiro é usado para esconder um profundo drama afetivo que muitas vezes tem origem na infância e na forma como seus pais lidavam com as questões monetárias. 
                    O importante é descobrir a tempo que o dinheiro não é amor. Pode trazer conforto e até algum prazer, mas a verdadeira felicidade se conquista com saúde psíquica e não com uma polpuda conta bancária. A verdade é que o dinheiro nunca é capaz de substituir o afeto. Ele seduz porque alimenta a ilusão de suprir faltas e as necessidades emocionais, de sentir-se salvo de contratempos da vida e de ser possível comprar a própria auto-estima. 
                   Relacionamentos onde o dinheiro define tudo é uma forma de transformar as pessoas em objeto sem valor, ou simplesmente para provar seu poder sobre elas.
                   Estamos vivendo numa época em que a estética material prevalece não apenas sobre o amor, mas também sobre a amizade, a solidadriedade, o afeto e as emoções espontâneas. Muitos precisam de todo o dinheiro do mundo para sentirem-se realizados. Isto expõe o verdadeiro sintoma da melancolia que tenta cobrir o gigantesco vazio afetivo do ganancioso. É importante observar que pessoas assim se transformam em prósperos empresários, mas nunca deixam de ser maníacos-melancólicos, que fazem da falta de um afeto uma permanente compulsão por dinheiro. E só assim conseguem encontrar a segurança para sua fragilidade emocional. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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Nicéas Romeo Zanchett 

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